
A pintura não assume um papel de destaque logo
desde o início do desenvolvimento do estilo. Só mais tarde,
entre 1300 e 1350, a pintura tem o seu apogeu como expressão independente
da arquitetura e, ao contrário desta, surge em Itália difundindo-se
para norte só a partir de 1400.
A presença da figura humana extremamente estilizada, o plano bidimensional
é a principal característica do estilo.
Vitrais
De início a pintura surge como elemento de
auxílio à estruturação da catedral numa das
expressões de maior peso simbólico, o vitral. Este método,
de unir pedaços de vidro colorido através de chumbo, foi
o que melhor se adaptou à necessidade narrativa do interior da
catedral gótica. Desenvolvendo-se bruscamente com as inovações
técnicas de distribuição de peso da abóbadas,
que permitiam a criação de grandes lances de entrada de
luz, esta evolução desafia os mestres-vidreiros obrigando-os
a um projeto metodicamente planeado,distanciando-se progressivamente da
influência românica e assumindo um estilo pictórico
próprio a partir de 1200 e com apogeu até 1250. No entanto
a formulação pictórica vai permanecer associada à
escultura no sentido em que as figuras são como estátuas
projetadas numa superfície plana. O vitral assume um forte caráter
abstrato sem efeito tridimensional, profundamente geométrico onde
os únicos pormenores permitidos são as delineações
a negro dos olhos, cabelos e pregas das roupas.
Iluminura
 Após o apogeu do vitral a iluminura de manuscritos volta a assumir
o papel principal
na representação pictórica que vinha já desde
o românico, mas no seu repertório formal passam-se a encontrar
referências à arquitetura que até aqui eram muito
limitadas. Por um lado as figuras estão integradas num ambiente
arquitetônico de fundo onde são evidentes os traços
do gótico, por outro lado as figuras exibem um tratamento volumétrico
com as mesmas expressões graciosas e posições sinuosas
da decoração escultórica da catedral. Mas mesmo neste
enquadramento arquitetônico a profundidade e a perspectiva são
ainda muito básicos, em grande parte pela contribuição
dos contornos a negro das figuras que fazem lembrar as uniões num
vitral e que as remetem para um plano bidimensional. Esta adaptação
dos elementos do gótico dever-se-á em grande parte à
transposição da produção da iluminura dos
mosteiros para as oficinas dos centros urbanos onde o gótico habita.
Na última metade do século XIV a influência dos mestres
italianos no norte europeu é forte e a iluminura ganha uma estrutura
espacial mais harmoniosa.
Drôleries
Estas drôleries designam um tipo próprio de manuscrito ilustrado
típico do gótico setentrional e que acaba por se alastrar
a outras regiões. Nesta tipologia as composições
adquirem uma liberdade quase ilimitada reunindo o humor grotesco com o
fantástico e cenas do quotidiano analisadas ao mais ínfimo
detalhe.
Mestres italianos
 A Itália representa uma região com características
muito próprias do estilo gótico. A influência bizantina,
também denominada por maniera greca, de pintura afresco e sobre madeira, vai estar enraizada até aos finais
do século XIII quando a pintura gótica se começa
a desenvolver. Neste momento a pintura apresenta uma escala monumental
e majestosa, uma forte dramatização dos personagens inseridos
em planos de pouca profundidade e perspectiva distorcida. Os temas religiosos
dominam e os tons dourados e vermelhos vão ajudar à associação
de importância e santidade das personagens bíblicas.
Neste campo Giotto é o expoente da audácia e originalidade
estabelecendo pela primeira vez um relação física
entre a pintura e o espectador.
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