
Falar em história do termo gótico é muito complicado, pois esse termo
é muito antigo e remete aos tempos de Roma. Falar também em sentimento
gótico também é complexo, pois em toda a história da humanidade
sempre houve depressão, tristeza e melancolia. Deterei-me nesse texto
a falar sobre o que chamamos movimento gótico, surgido pelo final da
década de 70 na Inglaterra.
Não, o Punk não acabou, cumpriu seu papel ao seu tempo,
se transformou e deu vazão a novos estilos como qualquer outro
movimento musical anterior.
Surgiram novos grupos, novos estilos se mesclaram aos estilos anteriores
e fizeram surgir outros movimentos com características próprias.
É sobre o influxo da influência Alemã e dos new
romantics da década de 80 que surgiria o Gótico.
A sonoridade pulsante e anárquica temperada com partículas
de música Erudita, mesclada a elementos sombrios de introspecção
demarcaria o surgimento de um novo estilo.
 Foi então que Ian Curtis saiu do anonimato para pôr em
mostra toda a melancolia e desilusão em forma de música,
sendo então o pioneiro e porta voz das outras pessoas que também
não estavam satisfeitas com aquela situação. Surge
então a banda Joy Division, o mais puro rock melancólico
e desesperador já visto. Ficou conhecida como uma das principais
bandas do pós-punk, assim definido seu gênero musical por
apresentar elementos do punk rock e uma certa melancolia acentuada.
Infelizmente a banda não durou muito tempo, pois seu vocalista
Ian Curtis se suicidou. Após o pioneirismo de Joy Division, surgiram
diversas bandas classificas como Rock Gótico.
Nesta zona de intersecção podemos visualizar bandas
como:
Bauhaus; Joy Division; The Cure; Siouxsie and the Banshees; The Cult;
The Sisters of Mercy; The Mission; e outras tantas não menos
importantes, dando origem ao estilo denominado como Gothic Rock.
O tema musical dos anos 80 foi principalmente a morte, tema dotado
por várias bandas sendo muito comuns também, temas como
falta de perspectiva, abandono, desespero,desilusões amorosas, melancolia, enfim, temas obscuros e tristes dos
sentimentos humanos. Estão bastante presentes esses sentimentos em outra
banda suburbana inglesa, The Cure, com o vocalista Robert Smith. Sua
voz soluçante, seus olhos pintados e seus cabelos bagunçados agradaram
em muito as pessoas que no início dos anos 80 começavam a despertar
o verdadeiro ideal e sentimento melancólico, e identificando-se cada
vez mais com as músicas.
Surgiram bandas como Bauhaus, tendo como vocalista o grande Peter Murphy,
que fazia as pessoas deliraram com sua voz extremamente depressiva sob
um som de baixo muito pesado e efeitos mórbidos na guitarra. Suas músicas
tinham como tema, a morte, vampiros, morcegos e rituais pagãos. Voz semelhante encontramos também em Andrew Audrith com o The Sister of
Mercy, considerada por muitos a banda que melhor representa o gênero
do rock gótico. Não foram somente os homens que marcaram o início do
movimento gótico, mas sim também as mulheres.
 Sioux, com seu visual extremamente arrojado e olhos pintados foi a madrinha
da geração dos cabelos arrepiantes. Assim, surgia a banda Siouxie &
the Banshees, com climas mórbidos, guitarras distorcidas, batidas tribais
e harmoniosas. Ela foi a primeira a liderar uma banda mais pesada com
vocal feminino. Outra diva dessa geração foi Anja Howe, vocalista da
banda alemã X-Mal Deustschland.
Possuíam como diferencial, muitos recursos eletrônicos,
que produziam efeitos incríveis quando misturados com o vocal
de Anja, provocando delírios num perfeito clímax lírico-depressivo.
Podemos citar bandas tão boas quanto essas citadas, entre elas: Clan
of Xymox, Th  e
Smiths, The Mission, The Cult, Switchblade Symphony, Gene Loves Jezebel,
Depeche Mode, Cocteau Twins, London After Midnight, Echo & the Bunnymen
entre outras, e as carreiras solo de Morrisey, vocalista do The Smiths
e Peter Murphy do Bauhaus.
Foi então que no final dos anos 80, o estilo gótico começou a entrar
em decadência, e para a tristeza geral de muitos góticos, muitas bandas
deixaram de existir, fazendo muitas noites escuras perderem seu encanto.
 O
fato da decadência do Rock Gótico, não representa em nada o fim do movimento
gótico, pois o sentimento continua intacto. Provando que Rock Gótico
não morreu, surge nadécada de 90 a banda Placebo, seguidora dos mesmos
princípios das pioneiras dos anos 80.
Assim, a partir da metade da década de 90, começam a surgir mais bandas
que usam a morte e os sentimentos profundos do ser humano como tema,
 mas de gênero música intitulado Gothic Metal e Doom.São diversas as bandas, de diversos países europeus. Podemos citar:
To/Die/For, HIM, Entwine, a filandesa Sentenced, as holandesas After
Forever, Within Temptation e The Gathering, a italiana Lacuna Coil,
as norueguesas Theatre of Tragedy, Tristania, Trail of Tears e Sirenia,
a alemã Flowing Tears, as austríacas Darkwell e Dreams of Sanity, as
inglesa Inkubus Sukkubus e Paradise Lost e diversas outras. A característica
desse gênero é a mistura de instrumentos clássicos como violinos e pianos,
entre outros, e o vocal lírico feminino, não sendo regra em todas, claro.
Podemos concluir com tudo isso, que o movimento gótico surgiu através
do rock gótico dos anos 80. Esse sentimento depressivo do ser humano
sempre existiu, mas o que Ian Curtis fez, foi expor em forma de música,
aquilo que diversos jovens do mundo sentiam. Afirmar que ele foi o pai
do movimento gótico, não é ambicioso, mas sim a mais pura verdade, e
deve ser lembrado na História, como o primeiro a pôr em música todos
os sentimentos depressivos que corroem a alma humana.
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