
As principais características da escultura gótica
são a tendência ao naturalismo e a busca da beleza ideal.
Em oposição à rigidez e abstração próprias
do românico, os escultores góticos pretenderam imitar a natureza
e tanto reproduziram pequenos detalhes vegetais como figuras dotadas de
certo movimento e expressividade.

O
tipo de religiosidade havia mudado em relação ao da alta
Idade Média, e estabeleceu-se uma relação mais direta
com a divindade. Ante o todo-poderoso Deus românico, o gótico
centrou-se nas figuras de Cristo e da Virgem; ante o hieratismo anterior
daquele estilo, buscou a humanidade das figuras divinas.
Nos pórticos das catedrais narravam-se em escultura, com clara
finalidade didática, os principais temas religiosos, como a vida
de Cristo e da Virgem, a Ressurreição e o Juízo Final,
e até alguns profanos, como as estações do ano ou
o zodíaco. No fim do gótico, a escultura em relevo acabou
por invadir completamente as fachadas. Paralelamente a estas, o relevo
se desenvolveu em retábulos, monumentos funerários e bancadas
de coros, lugares em que, às vezes, se chegou a empregar a madeira.
A escultura em redondo teve desenvolvimento menor e em geral se dedicou
à imagem de culto.
Durante a evolução do gótico, a
escultura exterior foi-se libertando do limite arquitetônico para
adquirir volume e movimento próprios. Muitas vezes as figuras se
relacionavam entre si e expressavam sentimentos. Os panejamentos foram
ganhando mobilidade e, em muitos casos, deixaram intuir a anatomia, representada
cada vez melhor. Depois de um período de grande expressividade,
a escultura gótica evoluiu, na fase final, para um patetismo excessivo.

Durante
o século XIV verificou-se um alongamento das formas e a escultura
pôde então separar-se do limite arquitetônico. No fim
desse mesmo século criou-se em Dijon, na corte dos duques de Borgonha,
uma brilhante oficina escultórica, onde trabalhou Claus Sluter,
autor do "Poço de Moisés" e do sepulcro de Filipe
II o Audaz.
Na Itália verificou-se um abandono progressivo
da estética bizantina dominante, graças à chegada
do gótico francês e à influência da escultura
clássica. Os melhores representantes foram Nicola Pisano, com o
púlpito do batistério de Pisa; Andrea Pisano, que fez a
primeira porta do batistério de Florença; e Arnolfo di Cambio.

No
século XIV, a escultura exterior das catedrais tornou-se mais minuciosa,
por influência das obras em marfim e da arte mudéjar. Datam
dessa época a Porta do Relógio da catedral de Toledo, o
portal da igreja de Santa Maria de Vitória e a Porta Preciosa da
catedral de Pamplona. O conjunto mais importante da escultura gótica
do século XIV está na Catalunha e é formado por sepulcros
e retábulos de clara influência italiana, como o túmulo
de D. João de Aragão.
No século XV a influência da Borgonha e
de Flandres tornou-se dominante e muitos mestres dessas nacionalidades
chegaram à península ibérica. Em Castela destacaram-se
os trabalhos de Simão de Colônia (São Paulo de Valladolid),
Egas Cueman (portal dos Leões da catedral de Toledo), Juan Guas
(San Juan de los Reyes de Toledo) e Gil de Siloé (sepulcros de
João II e Isabel de Portugal na cartuxa de Miraflores). Em Sevilha,
a influência flamenga mostra-se na obra de Lorenzo Mercadante, autor
do sepulcro do cardeal Cervantes. Em Aragão, a estética
borgonhesa se fez sentir na obra de Guillermo Sagrera.
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